terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Futebol e Sexo

Luís Fernando Veríssimo

No futebol, como no sexo, as pessoas suam ao mesmo tempo, avançam e recuam, quase sempre vão pelo meio, mas também caem para um lado ou para o outro e, às vezes, há um deslocamento.

Nos dois é importantíssimo ter jogo de cintura.

No sexo, como no futebol, muitas vezes acontece um cotovelo no olho sem querer, ou um desentendimento que acaba em expulsão. Aí um vai para o chuveiro mais cedo.

Dizem que a única diferença entre uma festa de amasso e a cobrança de um escanteio é que na grande área não tem música, porque o agarramento é o mesmo... e no escanteio também tem gente que fica quase sem roupa.

Também dizem que uma das diferenças entre o futebol e o sexo é a diferença entre camiseta e camisinha. Mas a camisinha, como a camiseta, também não distingue; ela tanto pode vestir um craque como um medíocre.

No sexo, como no futebol, você amacia no peito, bota no colo, cadencia e tem que ter uma explicação pronta na saída para o caso de não dar certo.

No futebol, como no sexo, tem gente que se benze antes de entrar e sempre sai ofegante.

No sexo, como no futebol, tem o feijão com arroz, mas também tem o requintado, a firula e o lance de efeito.

No sexo também tem gente que vai direto no calcanhar.

E tanto no sexo quanto no futebol, o som que mais se ouve é aquele "uuu".

No fim, sexo e futebol só são diferentes mesmo, em duas coisas... No futebol não pode usar as mãos. E o sexo, graças a Deus, não é organizado pela CBF!

Diário de um cão

1ª semana:
- Hoje completei uma semana de vida. Que alegria ter chegado a este mundo!

1º mês:
- Minha mamãe cuida muito bem de mim. É uma mãe exemplar!
 
2 meses:
- Hoje me separaram de minha mamãe. Ela estava muito inquieta e, com seu olhar, disse-me adeus. Espero que a minha nova "família humana " cuide tão bem de mim como ela o fez.

4 meses:
 - Cresci rápido; tudo me chama a atenção. Há várias crianças na casa e para mim são como "irmãozinhos". Somos muito brincalhões, eles me puxam o rabo e eu os mordo de brincadeira.

5 meses:
- Hoje me deram uma bronca. Minha dona se incomodou porque fiz "pipi" dentro de casa. Mas nunca me haviam ensinado onde deveria fazê-lo. Além do que, durmo no hall de entrada. Não deu para agüentar.

8 meses:
- Sou um cão feliz! Tenho o calor de um lar; sinto-me tão seguro, tão protegido... Acho que a minha família humana me ama e me consente muitas coisas. O pátio é todinho para mim e, às vezes, me excedo, cavando na terra como meus antepassados, os lobos quando escondiam a comida. Nunca me educam. Deve ser correto tudo o que faço!

12 meses:
- Hoje completo um ano. Sou um cão adulto. Meus donos dizem que cresci mais do que eles esperavam. Que orgulho devem ter de mim!!

13 meses:
- Hoje me acorrentaram e fico quase sem poder movimentar-me até onde tem um raio de sol ou quando quero alguma sombra. Dizem que vão me observar e que sou um ingrato. Não compreendo nada do que está acontecendo.

15 meses:
- Já nada é igual... Moro na varanda. Sinto-me muito só. Minha família já não me quer! Às vezes esquecem que tenho fome e sede. Quando chove, não tenho teto que me abrigue...

16 meses:
- Hoje me desceram da varanda. Estou certo de que minha família me perdoou. Eu fiquei tão contente que pulava com gosto. Meu rabo parecia um ventilador. Além disso, vão levar-me a passear em sua companhia!
Nos direcionamos para a rodovia e, de repente, pararam o automóvel. Abriram a porta e eu desci feliz, pensando que passaríamos nosso dia no campo. Não compreendo porque fecharam a porta e se foram. "Ouçam, Esperem!" lati... se esqueceram de mim... Corri atrás do carro com todas as minhas forcas. Minha
angústia crescia ao perceber que quase perdia o fôlego e eles não paravam. Haviam me esquecido.

17 meses:
- Procurei em vão achar o caminho de volta ao lar. Estou e sinto-me perdido! No meu caminho existem pessoas de bom coração que me olham com tristeza e me dão algum alimento. Eu lhes agradeço com o meu olhar, desde o fundo de minh'alma. Eu gostaria que me adotassem: seria leal como ninguém! Mas somente dizem: "pobre cãozinho, deve ter se perdido."

18 meses:
- Um dia destes, passei perto de uma escola e vi muitas crianças e jovens como meus "irmãozinhos". Aproximei-me e um grupo deles, rindo, me jogou uma chuva de pedras "para ver quem tinha melhor pontaria". Uma dessas pedras feriu-me o olho e desde então, não enxergo com ele.
 
19 meses:
- Parece mentira Quando estava mais bonito, tinham compaixão de mim. Já estou muito fraco; meu aspecto mudou. Perdi o meu olho e as pessoas me mostram a vassoura quando pretendo deitar-me numa pequena sombra.
 
20 meses:
- Quase não posso mover-me! Hoje, ao tentar atravessar a rua por onde passam os carros, um me jogou! Eu estava no lugar seguro chamado "calçada", mas nunca esquecerei o olhar de satisfação do condutor, que até se vangloriou por acertar-me. Quisera que tivesse matado! Mas só me deslocou as cadeiras! A dor e terrível!
Minhas patas traseiras não me obedecem e com dificuldade arrastei-me até a relva, na beira do caminho...
Faz dez dias que estou embaixo do sol, da chuva, do frio, sem comer. Já não posso mexer-me! A dor é insuportável! Sinto-me muito mal; fiquei num lugar úmido e parece que até o meu pelo esta caindo... Algumas pessoas passam e nem me vêem; outras dizem: "não chegue perto". Já estou quase inconsciente; mas alguma força estranha me faz abrir os olhos. A doçura de sua voz me fez reagir. "Pobre cãozinho, olha como te deixaram", dizia... junto com ela estava um senhor de avental branco. Começou a tocar-me e disse: "Sinto muito senhora, mas este cão já não tem remédio". É melhor que pare de sofrer". A gentil dama, com as lágrimas rolando pelo rosto, concordou. Como pude, mexi o rabo e olhei-a, agradecendo-lhe que me ajudasse a descansar. Somente senti a picada da injeção e dormi para sempre, pensando em porque tive que
nascer se ninguém me queria...

Toda a vida

Luís Fernando Veríssimo

Disse o homem: "Fiquei velho na época errada. Toda a minha vida foi assim. Cheguei às diferentes fases da vida quando elas tinham perdido suas vantagens. Ou antes de adquirirem vantagens novas. Passei minha vida com aquela impressão de que entrei na festa quando ela já tinhacabado ou saí quando ela ficar boa.

Veja você: a infância. Houve um tempo em que crianças, assim, da minha classe eram tratadas como príncepes e princesas. Está certo, elas também apanhavam muito. Mas havia as compensações. Geralmente, uma avó morava junto ou perto e as consolava com colo e doces. E as mães não trabalhavam fora nem faziam academia ou 'tsao-tse-qualquer-coisa'. Ficavam em casa, inventando maneiras de estragar os filhos.

Você alguma vez teve roupa de veludo? Nem eu. Sou da geração pós-veludo e pré-jeans. Às vezes vejo fotografias daquelas crianças antigas com roupas ridículas, golas rendadas babados, e me dá uma inveja... Aquilo sim era maneira de tratar criança. Acho que minha geração deu no que deu porque nunca usou roupa de veludo. Ou cacho nos cabelos.

Outra coisa: psicologia. Fui da primeira geração criada com psicologia. Nada de castigo - conversa. Ele rabiscou toda a parede? Está tentando expressar alguma coisa. E usou o batom da mãe? Ih, cuidado, uma surra agora pode deflagar um processo de introjeção edipiana e traumatizá-lo para sempre. Também fuida primeira geração que, com a invenção da calculadora de bolso, não precisou decorar a tabuada. Resultado, cresci sem a noção de duas coisas importantíssimas: pecado e matemática.

Cheguei tarde à infância e muito cedo à adolescência. A revolução sexual começou exatamente um dia depois que eu me casei com minha mulher porque era a única maneira de poder dormir com ela. Nos casamos num sábado, e a revolução sexual começou num domingo. Ainda tentei desfazer o casamento, já que não precisava mais, mas não deu, estava feito.

Minha adolescência foi um martírio. Lembro-me dela como uma única e interminável tentativa de desengatar sutiãs, que eram presos de mil maneiras. Ganchos, presilhas, botões, solda... Você precisava de um curso de engenharia para abri-los. Uma namorada minha usava um sutiã com uma fechadura atrás. Com combinação, com um cofre, juro! Dezessete para a esquerda, cinco para a direita, rápido que a mãe vem vindo! Você, garoto, nem deve saber o que é sutiã.

Eu pensava em ser um jovem adulto sério, engajado nas melhores causas, talvez até um ativista político, um guerrilheiro. Quando cheguei à idade, os jovens adultos estavam cuidando das suas carreiras e de suas carteiras de ações. Fui da primeira geração que quando falava em ir para as montanhas queria dizer para o fim de semana. E a última que ainda usou a palavra 'alienação', mas já sem saber bem o que queria dizer.

Tudo bem, pensei. Vou me preparar para a velhice e os seus privilégios, com minha pensão e meus netos. Mas a Previdência está quase quebrando, minha aposentadoria é uma piada, e meus netos, quando me olham, parecem estar me medindo para um asilo geriátrico. E há meia hora estou aqui chateando você com toda esta conversa e você ainda não se levantou para me dar o seu lugar."

E disse o garoto: "Pô, qual é, coroa? Esse negócio de dar lugar pra velho já era."

E suspirou o homem: "Não disse? Também cheguei tarde à velhice."

Vegetarian@?

1- Vc é vegetariano?
Sou.
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2- Vc só come salada?

Não. Deixar de comer carne não quer dizer comer só alface.
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3-Mas peixe e frango!? Vc come, né?

Desde pequeno aprendi que peixe e frango não nascem em árvores.
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4- Mas salsicha pode comer?

Aham, ali na horta tem um pé...

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5- Dizem que é preciso de proteína pra viver.

eu também digo, mas não precisa de carne. A Associação Dietética Americana recomenda uma dieta vegetariana.
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6-Os animais nao matam outros pra se alimentar?

Sim, os animais não-humanos matam. Eles precisam agir desta forma pra sobreviver. Você faz cocô na rua, xixi no poste, e fica pastando ? Se somos diferentes em diversas coisas pq teremos q imitar nesse caso?
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7-Comer carne faz parte da tradição!

Depende. Tem raça que come cachorro, a gente tem o cão como parte da família e seria nojento pensar em comê-lo... Na India as vacas são sagradas, aqui a gente devora sem dó.
Sem dizer das tribos canibais, né, mas é a tradição.rs.
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8-Minha vó disse que conhece um vegetariano doente.

Acredito nela... e eu conheço vários onívoros doentes. Faça o teste, quando alguém espirrar
de seu lado não diga "saúde", diga "você come carne?". A resposta não será uma surpresa!
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9- Eu acho que os animais não merecem tanto respeito qto os humanos... eles não têm autoconsciência, os humanos são superiores, somos mais inteligentes!

Uma criancinha, um débil mental, e um anencéfalo também não têm a capacidade de um porco, um cão ou um chipanzé de se relacionar com um membro de sua própria espécie, nem por isso eu acho certo comer ou subestimá-los.
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10- Eu não matei o animal, por isso vou comer e pronto!

Mas ao comprar a carne vc assassina...ops, patrocina a morte.

A criação de animais de corte é responsável por 90% do desmatamento de florestas tropicais. Para cada hambúrguer "Big Mac" de carne bovina são necessários 50m² de floresta.
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por Fábio!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

 [Desconheço a autoria]

Sou um palhaço e tenho orgulho em dizer;
Aos nexos obscuros que falam sem saber;

Charlatanismo nasce de cabeça oca;
E aos cérebros sem senso minha atençao é pouca.

O tolo pensa que o pergaminho o encobre, desonra o cretino e passa por muito nobre.

Mas o artista modesto é consciente da liçao de moral ilustrando muita gente;

Ainda dizem que o artista é muito rude,
que o ambiente que ele vive não existe virtude, é puro engano pensar em tudo isso...

Pois os répteis humanos também condenaram
Cristo

EU SOU PAUPÉRRIMO ARTISTA SEM VAIDADE NAO TENHO OURO MAS TENHO QUALIDADE NA MINHA VIDA EU ME SINTO BEM FELIZ
ONDE PONHO OS MEUS PÉS MUITOS NÃO PÕE O NARIZ!!!!!!!!!!!!!!!!


Eu quero explicar pra vocês o que é ser um palhaço,
O que é ser o que eu sou e fazer o que eu faço
Ser palhaço é saber distribuir alegria e bom humor
E com esforço contentar o publico expectador,

Tem muita gente que diz palhaço
quando quer xingar alguém,
E esse nome pronunciam com escárnio e com desdém,
E ao ouvir essa palavra outros sentem até pavor,
Como se palhaço fosse uma criatura inferior,

Mais de uma coisa fiquem certos
Pra ser bom palhaço é preciso ter alma forte,
E também nervos de aço
E além de tudo é preciso ter um grande coração,
Pra sentir isso que eu sinto grande amor à profissão,

O palhaço tem suas noites de vigília
Pois lá na sua barraca modesta ele tem uma família,
O palhaço meus amigos não é nem um repelente,
Palhaço não é bicho palhaço também é gente,

Digo isso em meu nome e em nome de outros palhaços,
Que muitas vezes trabalham com a alma em pedaços,
E curtindo suas dores procuram dar alegria,
A esse povo que traz seu pão de cada dia ....viva a arte de ser palhaço...

Quem é o Big Brother? Orwell e a Crítica da Modernidade

Por Robert Kurlz, Grupo Krisis

Sempre houve na história da literatura certos "livros universais" ou "livros do século" que conferiram a épocas inteiras uma figura exemplar, obtendo assim um grande efeito, cujo eco perdura até hoje. Não por acaso, a forma literária dessas obras é frequentemente a parábola. Essa forma permite expor idéias filosóficas fundamentais de tal modo que podem ser lidas ao mesmo tempo como histórias coloridas e envolventes. Essa dupla natureza da exposição diz à pessoa culta algo cognitivamente diferente do que à criança ou ao jovem, e, no entanto, ambos podem devorar o mesmo livro com igual voracidade. É justamente disso que se nutre a impressão profunda que tais obras deixam na consciência do mundo, penetrando os "topoi" do pensamento cotidiano e da imaginação social.

No século 18, foram as grandes parábolas de Daniel Defoe e Jonathan Swift que vieram a ser paradigmas literários do mundo alvorecente da modernidade capitalista. O "Robinson" de Defoe tornou-se o protótipo do homem branco burguês, diligente, otimista e racional, que, como administrador de sua alma e de sua existência na ilha "selvagem" do mundo terreno, cria do nada um lugar confortável e, além disso, passa a purificar os homens de cor "subdesenvolvidos" por meio do "trabalho", dotando-os de modos de comportamento magnificamente civilizados. Em contrapartida, o "Gulliver" de Swift erra por mundos fabulosos, bizarros e assustadores, nos quais a modernização capitalista se reflete como sátira mordaz e paródia às "virtudes do homem burguês" de Defoe.

Poderíamos entender o "Gulliver" de Swift como a primeira utopia negativa da modernidade, repleta de pressentimentos. Enquanto esse gênero sumiu de cena no século 19, positivista e crente no progresso, no século 20 ele vivenciou uma florescência imprevista. Um primeiro precursor foi o romance "A Máquina do Tempo", de H.G. Wells, já do ano de 1895. Encontramos em Wells uma espécie de prolongamento da sociedade de classes da era vitoriana até o estágio de sua degeneração completa, no qual os descendentes dos capitalistas de outrora vivem na superfície da terra como anões afáveis, mas tolos e pueris, ao passo que os descendentes da classe operária de outrora se transformaram em seres do mundo subterrâneo, que se cevam canibalisticamente de seus antípodas.

Sob a impressão causada por guerras mundiais, grandes crises econômicas e ditaduras industriais, o gênero da utopia negativa não só se aprimora, mas também seu conteúdo acaba se deslocando da sociologia das oposições de classe à visão de um sistema totalitário homogêneo. As parábolas sombrias de Franz Kafka pertencem a esse contexto tanto quanto as obras de uma ficção científica negativa e popular. Tornaram-se célebres os romances "Nós", de Ievguêni Zamiátin, escrito em 1920 e só publicado em inglês cinco anos depois, "Admirável Mundo Novo", de Aldous Huxley, do ano de 1932, mas sobretudo os dois livros correspondentes de George Orwell, cujo centenário de nascimento se completa agora: "A Revolução dos Bichos", de 1945, e "1984", talvez a mais conhecida de todas as utopias negativas, publicado em 1949.

É fácil estimar de que modo a obra de Orwell será "louvada" pelos encomiastas conformistas por ocasião desse jubileu no mundo presente do capitalismo globalizado.

Reconhecer-se-á em Orwell um grande admonitor e um vigilante democrático diante do horror totalitário, como o que se manifestou nas ditaduras de Stálin e Hitler. E todos lhe serão gratos, afirmando que suas famosas parábolas teriam contribuído para conduzir a humanidade a um futuro de liberdade, de democracia e de economia de mercado, hoje já quase alcançado. Por fim se dirá que a obra de Orwell nos incita a estar alerta contra as tentações do totalitarismo, que sempre podem irradiar dos "maus" desse mundo e assolar a humanidade. E haverá então referências ao fundamentalismo islâmico e a Saddam Hussein ou a Slobodan Milosevic. Mas dificilmente algum desses oradores democráticos, dedicados a reverenciar Orwell, chegará a uma certa constatação, a saber: que sua utopia negativa há muito tempo se tornou realidade e que vivemos hoje no mais totalitário de todos os sistemas, cujo centro é formado pelo próprio Ocidente democrático. Seguramente o próprio Orwell não pensou desse modo. É óbvio que ele, da perspectiva dos anos 40 do século passado, quando escreveu suas parábolas, não tinha em vista realmente outra coisa que a experiência imediata do nazismo e do stalinismo; aliás de maneira análoga à filósofa Hannah Arendt, em suas principais obras do anos 50. As grandes obras filosóficas e as grandes parábolas literárias se caracterizam por dizer muitas vezes mais que seus próprios autores sabiam e por lançar uma luz surpreendente sobre as condições posteriores, que na época do surgimento dessas obras não podiam ainda ser levadas em conta. A primeira das parábolas orwellianas, "A Revolução dos Bichos", já é elucidativa sob esse aspecto. Vista superficialmente, trata-se de uma fábula acerca da vaidade de todas as revoluções sociais, já que a essência da dominação social, a estrutura do "poder", permanece sempre igual. Esse motivo antecipa uma idéia básica do pensamento pós-moderno de Foucault, o qual pressupõe de maneira análoga uma espécie de "ontologia do poder" positivista. Nesse sentido, Orwell é antes um pessimista antropológico do que um ideólogo cheio de hurras à ordem dominante, ainda que, como todos os pessimistas, ele tenha defendido afinal a sociedade existente, em seu caso a anglo-saxã, como a melhor de todas as possíveis. Não sem razão, Orwell foi frequentemente comparado a Swift. Paródia brilhante à história da Revolução Russa, com os porcos como a elite burocrática e o porco supremo Napoleão no papel de Stálin, "A Revolução dos Bichos" apresenta naturalmente todos os clichês do pensamento burguês acerca da inutilidade e do caráter criminoso da emancipação humana. Mas a parábola contém também um subtexto bastante distinto, do qual o próprio Orwell manifestamente não tinha consciência. Por um lado, ela pode ser lida no sentido de que o problema não reside na própria idéia de emancipação, mas sim na "revolução traída" (Isaac Deutscher), uma vez que os porcos, sob liderança de Napoleão, traem a igualdade dos bichos. Por outro lado, esse subtexto contém mais uma vez um outro subtexto, no qual não é essa "traição" dos porcos à revolução dos bichos que faz fracassar a emancipação, mas a falsa compreensão da própria repressão, que não é derivada da forma como a revolução se organiza, mas meramente da vontade subjetiva do fazendeiro humano, chamado Jones, de explorar os bichos. Desse modo, as ovelhas sufocam regularmente toda discussão sobre o sentido da ação coletiva, balindo com veemência a cada quarto de hora o slogan "Quadrúpede bom, bípede ruim!", o que no fim é desmentido, visto que os próprios porcos se transformam em "bípedes".

Coerção interna

Sem querer, Orwell chega assim em sua parábola à conclusão implícita de que não é a troca sociológica do poder e de seus detentores que constitui a emancipação, e sim a superação da forma social, isto é, do sistema moderno produtor de mercadorias, comum às classes sociais. Com isso transparece até mesmo que o "trabalho" abstrato não é um princípio ontológico e menos ainda um princípio de emancipação, mas, pelo contrário, o princípio do poder repressivo, que submete os animais ao fim em si mesmo irracional do "produzir por amor de produzir", simbolizado na personagem um tanto estúpida do cavalo de tração Boxer, uma espécie de operário padrão que quer resolver todos os problemas com a divisa "Eu quero e vou trabalhar ainda mais duro!" para acabar sendo vendido por Napoleão aos abatedores de cavalos, depois de desgastado a ponto de não poder mais trabalhar.

O problema da forma comum do nexo social sistêmico, que reside além da "luta de classes" sociológica imanente, torna-se ainda mais claro em "1984", um livro que lembra muito o romance "Nós", de Zamiátin (e talvez influenciado por ele). No primeiro plano, tanto em Zamiátin quanto em Orwell, há a figura do líder todo-poderoso e colossal, num caso denominado simplesmente de "Benfeitor", no outro designado de "Grande Irmão"; naturalmente ambos imitaram as ditaduras políticas totalitárias do entreguerras.

Mas também aqui transparece um subtexto que vai bem além das mensagens explícitas. Atrás do poder personificado, aparece o caráter anônimo, "reificado", do totalitarismo: o Benfeitor de Zamiátin se revela de fato uma máquina inteligente, e também o Grande Irmão de Orwell pode ser lido facilmente como metáfora de uma matriz anônima de controle sistêmico, que no totalitarismo econômico atual funciona de maneira muito mais coercitiva que nas ditaduras políticas da primeira metade do século 20.

Em "1984", o sinistro já não é tanto a coerção externa, mas muito mais a interiorização dessa coerção, que acaba aparecendo afinal como imperativo do próprio Eu. O fim em si mesmo irracional da "valorização interminável do valor" por meio do "trabalho" abstrato quer o homem auto-regulador, que reprime a si próprio em nome das leis sistêmicas anônimas. O ideal é a auto-observação e o autocontrole do "empresário individual de si mesmo" por meio de seu superego capitalista: sou produtivo o suficiente, ajustado o suficiente? Estou seguindo a tendência, sou capaz de concorrer? A voz do Grande Irmão é a voz do mercado mundial anônimo; e a "polícia do pensamento" das relações democráticas de concorrência funciona de forma muito mais refinada do que todas as polícias secretas.

Isso se aplica também à famosa "linguagem orwelliana", a "novilíngua", com sua inversão de significados, que é no fundo, há mais de 200 anos, a língua do liberalismo econômico: quando se diz em nome do Grande Irmão que "liberdade é escravidão", então isso significa inversamente que "escravidão é liberdade", ou seja, a auto-submissão alegre às pretensas "leis naturais" da física social da economia de mercado. Isso se aplica também aos outros lemas da "novilíngua": "Guerra significa paz", ninguém sabe isso melhor que a Otan e a potência mundial democrática EUA, autodesignada polícia mundial, e "Ignorância é força" -quem em boa consciência subscreveria melhor essa máxima que o consumidor democrático ou o "manager" empresarial, cujo êxito depende da ignorância social? Colocar em questão, ainda que só em pensamento, os critérios desse sistema fechado e louco da "liberdade" economicamente determinada significa já estar "out" ou, como se diz em "1984", "a crimidéia não acarreta a morte: a crimidéia é a morte", ou seja, a morte social.

Pode-se sair de uma seita política e, no Estado totalitário, pode-se partir para a "emigração interior"; mas o homem capitalista que se tornou auto-regulador pode se retirar do mercado totalitário tanto quanto pode sair de seu próprio Eu, convertido em "capital humano". A consciência é reinserida no mecanismo onipresente da concorrência, incessantemente se calculando a si mesma como instrumento de valorização e, ao mesmo tempo, enganando-se com as fórmulas da "novilíngua" econômica neoliberal: "A loucura da produtividade é auto-experiência", "auto-submissão é auto-realização", "angústia social é autolibertação" etc. ou, como a divisa da esquizofrenia do homem moderno, formulada por Rimbaud de maneira insuperável já há mais de cem anos: "Eu é um outro".

"Liberdade" não significa nesse mundo nada mais que saber o que o Grande Irmão ou o Benfeitor, isto é, o mercado totalitário, poderia querer dos homens, nada mais que saber pressenti-lo e obedecê-lo às pressas e sem restrições ou ficar a meio caminho, perder sua existência social e morrer prematuramente. Para que essas sanções se apliquem aos perdedores, não é mais preciso um sistema burocrático de supervisão. Isso providencia por si só o poder anônimo sinistro da máquina social do capital, convertido numa condição do globo inteiro. Esse poder de leis sistêmicas cegas, que violenta os recursos naturais e humanos, emancipou-se de toda vontade social -inclusive da subjetividade do management.

De certo modo, o mundo todo se tornou uma única e gigantesca fazenda de bichos, na qual é indiferente quem comanda, o fazendeiro Jones ou o porco supremo Napoleão, visto que os comandantes subjetivos são de qualquer jeito os órgãos executivos de um mecanismo autonomizado, que não descansará enquanto não fizer do mundo, por meio do trabalho, um deserto sem vida. Nessa fazenda-mundo automática, toda questão crítica acerca do sentido e da finalidade da organização demente inteira é sufocada de imediato porque as ovelhas democráticas prorrompem nos ouvidos o berro atordoante de lemas "reificados": "Trabalho bom, falta de trabalho ruim", "Concorrência bom, reivindicações sociais ruim" etc. Se nós lermos as parábolas orwellianas um pouco a contrapelo, poderemos nos reconhecer a nós mesmos como os prisioneiros de um sistema amadurecido, cujo totalitarismo faz "A Revolução dos Bichos" e "1984" parecerem quase inocentes.

1 de Junho de 2003

(retirado do extinto Sabotagem)

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

1º Encontro de Zineir@s


sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Por que Geyse incomoda tanto?

[Queria ter escrito sobre o caso, mas não consegui. O texto abaixo foi recebido por e-mail e reflete exatamente o que gostaria de ter dito e dizer sobre a linha tênue entre moral e liberdade que a sociedade patriarcal diz oferecer às mulheres.]


Há dias vinha adiando escrever acerca do revoltante episódio acontecido com a estudante universitária Geyse Arruda, vítima de machismo e misoginia numa faculdade de São Paulo. Somente hoje após analisar a cobertura feita pelos meios de comunicação e assistir por várias vezes o vídeo que mostra a matéria, me dispus a discorrer sobre a complexidade imbuída num fato que seria encarado como banal ,não fosse o número de pessoas envolvidas e a postura absolutamente reacionária da direção da UNIBAN. Loira, bonita, vaidosa, Geyse Arruda, no dia 22 de outubro saiu de casa para ir à faculdade vestindo uma roupa curta, como tantas outras moças se vestem cotidianamente, para ir ao shopping, passear, ir à balada e até - assistir aula. Acabou sendo vítima da brutalidade dos 800 alunos, homens e mulheres, estudantes que se achando ultrajados pelo tamanho do vestido da moça se viram no direito de agredi-la. Geyse não só foi xingada de “puta”, foi impedida de assistir aula, posta pra fora da universidade por seguranças e em seguida expulsa. Desde o ocorrido, dada a repercussão do caso, tem ido frequentemente à tv onde é obrigada a reeditar a violência sofrida, por conta das perguntas sexistas feitas normalmente por jovens. Foi assim na globo, com o “Altas Horas” e num programa local, assumidamente apelativo, numa filiada da mesma emissora. Já o Fantástico deu atenção ao modo como a moça se vestia, passando a imagem de alguém fútil, exibicionista,que gostava de chocar, transferindo assim novamente a culpa para quem vivenciou a intolerância.

Geyse pode até ser refém dos apelos do capital à mercantilização do corpo das mulheres, e reproduzir o imaginário da mulher fatal e fútil, mas é assustador perceber como novamente patriarcado e capitalismo, por meio das inúmeras instituições de propagação dos seus valores, tentam transformar as mulheres vitimizadas em algozes, desfocando a violência que sofreram para dar mais ênfase aos seus atributos morais.

Era certo usar tais trajes numa instituição de ensino? Que outras “provocações” teriam sido lançadas por ela a ponto de desencadear tamanha hostilidade por parte dos alunos? São perguntas ecoadas no Brasil inteiro que atestam o quão oprimidas ainda são as mulheres, principalmente no campo do desejo.

O caso Geyse fez lembrar outro, ocorrido aqui em Fortaleza no mês de abril, o da universitária de 22 anos , que se atirou pela janela de um prédio na Praia do Futuro,após ter se negado a manter relações sexuais com dois homens.Por pouco a jovem não morreu mas não obstante a brutalidade dos agressores, teve que suportar os comentários desdenhosos pelo fato de ter conhecido um dos homens numa festa e em seguida tê-lo acompanhado até seu apartamento, havendo supostamente “facilitado à agressão”.

Nos dois casos uma coisa em comum: por mais que as mulheres avancem em suas conquistas, o patriarcado continua no centro das discussões e a questão da sexualidade feminina parece ainda manter-se relegada à bipolaridade simbólica de “santa” ou de “puta”. A moça que se atirou do prédio até podia querer ficar com o rapaz que depois veio a agredi-la, mas isso não tem nada a ver com a barbárie que quase lhe tirou à vida. Nos dois casos também o arquétipo convencional da vítima posto em xeque. Ambas incomodam. Incomodam muito. Pelo poder e atitude que também demonstram possuir. Se fossem frageizinhas, comportadinhas, não causariam tanta aversão.

Quanto à Geyse,”ela já pôs mega hair”,fala um. Certamente vai posar pra alguma revista masculina, diz outro. E pouco a pouco vamos tornando-nos cúmplices de uma sociedade anestesiada quanto a negação dos direitos humanos,e especificamente das mulheres. Sociedade aparentemente vencida pela hipocrisia, pelo moralismo e pelo capital . Capital que produz mulheres hipersexualizadas mas que depois trata de descartá-las. Capital esse que não tardará em fazer cúmplice também a própria Geyse, que já sinaliza usufruir da visibilidade ganha em prol de fama e sucesso.

Geyse é inteligente, fala bem, se mostra consciente dos seus direitos. Poderia ser um exemplo, meio contraditório é certo, mas ainda assim um exemplo de que uma mulher pode re-significar sua feminilidade. Que nem tudo que reluz é fetiche , que a sensualidade não é o diabo e que ninguém precisa se camuflar ou abrir mão da própria subjetividade para mostrar capacidade e competência. Mas até nisso há um paradoxo. Geíse não precisa ser um exemplo. O que ela quer, precisa, reivindica é ter os seus direitos garantidos.
 
Que ao final de tudo isso a violência passada por essa e por tantas outras mulheres não caia no esquecimento, abafada pelas artimanhas do capital e do machismo. Que reconheçamos que por trás da “celebridade ora em construção” existe uma mulher que teve os direitos brutalmente negados, e por fim ,que o nosso senso de justiça seja maior que os seus quinze minutos de fama.

Cícera Andrade Pontes - Assistente Social e Especialista em Violência Doméstica

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Vamos bater um fut?



Antes de mais nada, eu não vou falar sobre o Vasco, apesar de ser o meu time! E eu não peguei o desenho de propósito, é que foi o mais bonitinho que achei no google. Eu vou falar sobre gostar de futebol, um gosto de tenho desde criança.

Lá pelos meus 3 ou 4 anos eu não tinha ideia do que era futebol. Ficava o tempo todo na casa da minha madrinha, brincando com "coisas de menina". Sempre relacionava futebol a números, por ser a única coisa que me chamava a atenção. Lembro-me que um dia estava com meu primo e ele me perguntou pra qual time eu torcia. Respondi: "23". Nem preciso dizer a sonoridade da gargalhada, né... Manipulador sutil, meu primo disse: "23 é Palmeiras, né?" E pra não parecer pouco entendida, eu concordei. Pronto, virei Palmeirense.

Eu era, então, eu pessoa completa; tinha um time. Nunca torci ou assisti a jogos, apenas sustentava o título de "ser palmeirense" e seguia a vida. Quando entrei na pré-escola descobri que não poderia brincar agressivamente como os meninos. Nada contra minhas bonecas e as vozes finas das meninas, porém um pouco de ação e suor não faz mal, né! E seguindo a máxima de que "o proibido é mais gostoso", eu queria ficar correndo como uma idiota atrás de uma bola! Não sei se foi exatamente aí que comecei a gosta de futebol, contudo foi uma fase marcante.

Na escola eu já era mais sapeca e minha facilidade para ter amizade com pessoas do sexo masculino se acentuou. Daí, pro futebol, bastaram alguns recreios. Porém foi na 2ª série que passei a jogar mais, especialmente por causa da Luara, minha primeira tara paixão homossexual. Como ela jogava, nossa! Eu sempre tocava pra ela finalizar (que secsi isso). E nós éramos ótimas jogadoras, a vitória era sempre nossa.

Deixando as paixões com o gandula, nesse momento da minha vida eu tinha a certeza de que queria ser jogadora de futebol! No entanto, meu pai disse que isso era coisa de menino e não deixou. Se naquele tempo existisse Internet, eu até poderia pesquisar sobre futebol feminino pra argumentar, mas acabei jogando apenas na escola mesmo. Meu físico de lutadora de sumô mirim foi piorando e meu desempenho futebolístico piorando. Restou-me ficar no banco de reservas e depois passar, discretamente, pra arquibancada.

A lembrança mais emocionante que tenho é da Copa de 94. Lembro que minha família corria para a cozinha quando os jogos iam para os pênaltis, com medo do Brasil não ganhar. E no dia da final, era uma gritaria, era tanto choro, que não tinha como não se apaixonar. Foi um misto de susto, de confusão e de uma felicidade diferente, externa a mim e, ao mesmo tempo, muito intensa. Eu amava futebol (e não sabia).

Nesse momento, eu ainda era Palmeirense, mas sem nem saber que a cor do Palmeiras era verde. Certo dia, meu pai me perguntou o porquê da escolha (putodavida, diga-se de passagem, porque ele é Corinthiano). É, eu não sabia. Como meu pai não tinha me deixado seguir uma belíssima carreira nos gramados, eu decidi me vingar e virei São Paulina. Claro, eu poderia ter continuado Palmeirense, mas também não queria ser manipulada pelo meu primo. E como eu era chata como São Paulina. Comprava adesivos, boicotava os adereços Corinthianos do meu pai, gritava, zuava, xingava! Nada por amor ao time, apenas por provocação.

Não sei quanto tempo depois, vi meu pai sofrer (como todo Corinthiano hehe) num jogo. Não sei qual o campeonato, se era final, mas nunca vi meu pai sofrer tanto. Ele saia da sala, voltava, comemorava gol, abaixava a cabeça nas finalizações erradas. E eu ali, rindo da desgraça alheia, enquanto morria de dó dele. O Corinthians perdeu aquele jogo - e eu virei Corinthiana, como um prêmio de consolação pro meu pai. Dediquei a mesma empolgação de quando era São Paulina, com o plus de ver meu pai feliz. Passei a ter ódio do Palmeiras e do São Paulo, porque era assim que tinha que ser. Não tinha uma identificação com o time, apenas queria agradar meu pai. E foi assim por muito tempo, até que...

...até que fui apresentada ao Vasco. Não que eu fosse uma ignorante que não conhecesse os times, fui apresentada a um time que "me fez cócegas". Eu descobri muita coisa sobre futebol, sobre amor das pessoas pelo esporte, sobre torcida (o lado bom e ruim) e me identifiquei com o Vasco. E agora, o TAMO NA PRIMEIRA!!!

A história ficou meio falha porque eu quis contar rapidamente e em ordem cronológica. Faltou falar sobre as outras Copas, sobre o ódio que tenho do Roberto Carlos, da minha primeira vez no estádio, quando vi o Vascão perder em campo! Mas acho que o essencial tá aí, deu pra entender. Se eu continuar falando, fico até semana que vem!

Bem, hoje em dia sou sedentária e não consigo correr nem pra pegar ônibus parado. Quero ir ao estádio mais vezes e não vejo a hora de começar a Copa pra rasgar o sofá pulando, pra ficar com os olhos vermelhos de tanto assistir TV, pra ficar rouca de tanto xingar e pra bater o dedo do pé no que estiver na minha frente, porque eu pareço uma doida! hahahahahaha Depois eu conto mais sobre esses sentimentos da Copa, sobre a sensação de estar num estádio e sobre o segundo melhor lugar pra se assistir jogos: o bar!

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Hoje estou assim

Tá, eu sei que o vídeo é velho, porém meu humor está com esse clima:



Estou tão literária ultimamente, toda no cósmico (:p) que tá até medo hahahahaha


PS: toda vez que vejo esse vídeo quase choro.