terça-feira, 11 de outubro de 2011

Anarquismo nas Filipinas

Companheiro/as do leste distante no florescimento do anarquismo nestas terras:
Muito está sendo feito nas conexões históricas entre anarquismo e as Filipinas. Nada menos do que o trabalho formidável de Benedict Anderson e seu livro "Sob Três Bandeiras", que consiste em um documento da relação entre anarquismo e anti-colonialismo filtrado através da vida e dos trabalhos de Jose Rizal, uma das figuras primordiais na luta pela independência das Filipinas, a qual Anderson descreve como "o denso entrelaçamento do internacionalismo anarquista e do anti-colonialismo radical".
O escritor político José Rizal, que foi executado em 1896 pelas autoridades espanholas nas Filipinas aos 35 anos de idade, junto de seu contemporâneo, pioneiro folclórico, ativista sindical e escritor Isabelo de los Reyes foram as principais influências na disseminação das idéias anarquistas para as ilhas.
De los Reyes foi preso em Manila após as violentas insurreições de 1896, e mais tarde deportado para a Espanha onde foi encarcerado, junto de anarquistas Catalães, nas infames Prisões do Castelo Montjuic em Barcelona. Foi nessa ocasião que de los Reyes conheceu e iniciou uma amizade com o anarquista Ramon Sempau. No seu retorno para Manila em 1901, agora sob ocupação estadunidense, ele trouxe consigo livros do Proudhon, Marx, Kropotkin, e Malatesta. Logo após, ele organizou operários gráficos e com sucesso, organizou greves, imbuindo os trabalhadores com idéias anarco-sindicalistas que conduziram para a criação da Union Obrera Democrática (UOD) em 1902. Foi a primeira federação sindical moderna no país e o seu congresso fundador adotou os princípios de dois livros - "Vida e Obra" de Karl Marx e "Entre Camponeses" de Errico Malatesta, enquanto fundamentos políticos do movimento. Em seu auge, em 1903, a organização somava 150 sindicatos filiados, com mais ou menos 150.000 membros em oito províncias de Luzon. Após a UOD ter organizado um protesto massivo, o governador os colocou sob vigilância policial, os estereotipando como "radicais, subversivos e anarquistas".
Desde a publicação do livro "Sob Três Bandeiras" em 2005 as Filipinas tem visto um aumento significativo nas atividades anarquistas. Existem grupos como o Coletivo Como um Todo, composto por anarquistas e artistas que gestionam uma infoshop na cidade de Davao, Mindanao, e as atividades envolvem a realização de manifestações contra a exploração corporativa, e foram parte de uma campanha ativista de sucesso que resultou na completa proibição de pesticidas aéreos que eram lançados sobre as plantações de banana. O grupo também estabeleceu um espaço chamado "Cozinha de Saydee", do qual estão oferecendo refeições grátis duas vezes por semana, alimentando em torno de 100 jovens e também pessoas mais velhas. Mas o mais recente projeto anarquista é a "Mindsetbreaker Press and Distribution" ("Imprensa Destruidora de Paradigmas"), que é uma entidade anarquista de mídia independente, de publicação e distribuição de informação, alojados nas Filipinas, e estão procurando suporte e solidariedade através de seus esforços. Deixaremos que o/as companheiro/as da Mindsetbreaker Press falem sobre ele/as mesmo/as:
Descrição do Projeto
Mindsetbreaker Press deu início às suas operações no começo de 2010 enquanto um projeto individual cujo enfoque era principalmente, a tradução de literatura anarquista (em inglês) para línguas locais para que fossem mais aplicáveis e relevantes para o cenário político, social e econômico bastante complexo das Filipinas. Enquanto o tempo passa, a imprensa cresceu eventualmente em número após estabelecer uma colaboração pessoal com algun/mas amigo/as envolvido/as na rede social anarquista e em ativismo. A imprensa está agora funcionando pelos esforços de quatro pessoas que trabalham especificamente com campanhas de publicação e distribuição, além de outros projetos existentes que estão sendo conduzidos pelos membros.
Os membros atuais do projeto estavam envolvidos em diferentes projetos antes e atualmente, individualmente e coletivamente. Alguns administram centros sociais ou infoshops, fazem zines e publicações alternativas, organizando eventos radicais de trabalho de base e shows, protestos e manifestações, panfletando por campanhas, abrindo mercados livres e comida livre nas ruas, fóruns, organizando redes e hospedando sites informativos, trabalhando com comunidades (camponeses, pescadores e indígenas), lutando contra o capitalismo e contra o desenvolvimentismo estatal invasor (mineradoras, freeports, agronegócio, etc.). Essas ações têm sido conduzidas independentemente da intervenção estatal, dos negócios, da mídia burguesa, ONGs e instituições religiosas.
Dando uma olhadela
Desde que o país foi colonizado por interesses ocidentais, foram 300 anos de ocupação espanhola, invasão japonesa por um tempo, e mais tarde, influência estadunidense, possivelmente, seria simples o suficiente entender porque o arquipélago tem sustentado tal complicação que resulta na indiferença de perspectivas, prioridades e interesses entre a sua própria população. Além disso, é um país extremamente pobre acorrentado em dívidas; persuadido com o escárnio da mera sobrevivência. Os índices de pobreza, fome e corrupção são visivelmente muito altos. Da mesma forma, o conservadorismo e a influência religiosa (isto é, catolicismo) não é novidade. Então, a repressão diária pelo Estado (Forças Armadas das Filipinas e a Polícia Nacional das Filipinas) é violenta e descontrolada, direcionada para crimes insignificantes, exilados e insurgentes; a mídia cobre imagens de terrorismo e acusa diretamente pessoas inocentes de envolvimento com grupos guerrilheiros armados (esquerda maoísta) para justificar o assassinato legal. De modo geral, algumas pessoas podem ter observado isso como um efeito sem precedentes em função das coações econômicas que estão sendo impulsionadas e sentidas realisticamente todos os dias, levando à maiores injustiças e abusos insuportáveis.
Alvo e objetivos
O alvo do projeto é providenciar idéias radicais nas ruas e nas universidades, particularmente, conscientização contra-informacional e alternativa que nós sentimentos ser rica em diversidade e aberta para argumentos/discurso, como também para dar coerência à situação prática da localidade e do tempo. Isso se dá através da republicação de obras dos mais variados autores radicais que nós escolhemos, para então distribuir para as pessoas massivamente. Além disso, o principal objetivo do projeto, fora a republicação das obras de vários autores, é dar apoio a escritores anarquistas locais (individual e coletivamente) que estão lutando para fazer circular seus trabalhos em diferentes setores da sociedade (como por exemplo, estudantes, camponeses, povos indígenas, pescadores, vendedores, trabalhadores (empregados ou desempregados), squatters, mulheres e homens, gays, lésbicas, jovens, etc.), não se limitando apenas à subcultura e seu próprio meio. Também escolhemos alguns títulos escritos por companheiro/as locais que conhecemos, e um escritor está atualmente envolvido no projeto. Nós esperamos estabelecer redes, e aprofundar nosso conhecimento sobre as idéias anarquistas, suas esperanças, sonhos, e a sua prática, não só para determinadas pessoas, individuais ou agrupamentos, mas sim, diferentes setores da sociedade, inseridos na luta cotidiana pela sobrevivência. Isso nos inclui, nós mesmos, e não estamos acima de ninguém. Pouquíssimos títulos locais cobrem a história e a política das Filipinas baseados em perspectivas anarquistas contemporâneas. Esta distribuição regular de grandes quantidades de literatura anarquista nas ruas e nas universidades das Filipinas pode ser vista como a primeira vez que isso ocorre em sua história, visto que conseguir financiamento para impressão, às vezes é muito difícil. Idéias anti-autoritárias dificilmente alcançam uma grande diversidade de pessoas nos setores sociais em que está contida a classe trabalhadora. Necessidades básicas como comida na mesa é muitas vezes a principal preocupação de todo/as. A economia atual nunca será útil para garantir estas necessidades, e só proverá o povo com morte e destruição. Todos os recursos valiosos que providenciam a vida são roubados, monopolizados pelo capital através de acordos comerciais.
Atividades atuais
Após republicar a versão em inglês de "O que é anarco-comunismo", nosso plano é fazer circular o texto em diversas universidades ao redor de Manila. Existem quatro diferentes universidades, como a Universidade Politécnica das Filipinas (PUP), a Universidade das Filipinas (UP) e outras escolas progressistas como "Ateneu de Manila" e Universidade Tecnológica das Filipinas (TUP). A PUP e a UP são conhecidas tradicionalmente por abrigarem idéias da esquerda autoritária, organizando estudantes em manufaturas para cegá-los à submissão da ideologia autoritária (Marxista e Maoísta). Isso é sempre perigoso e absurdo, visto que objetiva a derrubada do Estado existente para agarrar o poder com o pretexto da gestão e soberania proletária e nacionalismo para apenas facilitar que uma vanguarda governe o povo. "A Frente Democrática Nacional (NDF) se tornou o bloco mais influente entre a esquerda das Filipinas durante os anos da gestão Marcos. Foi diretamente influenciada pelo Partido Comunista das Filipinas (CPP), reforçado por seu grupo armado (O Exército das Novas Pessoas) que foi capaz de formar batalhões em diversas regiões estratégicas em Luzon, Visayas e Mindanao. O radicalismo demonstrado pelas organizações, que se iniciou com o CPP, atraiu diversos setores, principalmente os mais jovens" - Jornal Gasera.
Nós pretendemos distribuir 1000 cópias dos materiais publicados em cada universidade, e temos a esperança de que o/as estudantes se auto-organizem e atuem contra todas as formas de autoridade; mais especificamente, os calouros, visto que muitos veteranos eram socialistas autoritários mascarados com o objetivo de capturar suas mentes. Também ouvimos que existem organizadores que não estão lá para estudar, mas sim para organizar estudantes em tais linhas ideológicas.
Mais adiante ainda pretendemos traduzir Alexander Berkman em Tagalog. Esta é a língua comum falada no arquipélago, que muitas pessoas são capazes de entender ou falar. A versão tagalog de Berkman tem como enfoque de distribuição as pessoas que não estão confortáveis com o inglês e mais especificamente, os maiores setores sociais, as classes mais pobres e marginalizadas. Além de republicar literatura estrangeira, estamos muito motivados em produzir nosso material local e apoiar escritores locais com consentimento pessoal antes de conduzir seus trabalhos através do nosso projeto, enquanto uma entidade anarquista alternativa de publicação e distribuição. Existem 7 títulos finalmente aprovados após reuniões com o/as membro/as e o/as escritore/as locais que conhecíamos, e inclusive, um/ma dele/as hoje faz parte do projeto e escreve voluntariamente com regularidade. Os títulos que estão sendo aprovados incluem o "Jornal Gasera" (coleção de escritos anarquistas locais sobre história e política nas Filipinas), "Indokumentado #1" (idéias autônomas, experiências, ativismo e o movimento no arquipélago), "Anarki: Akin ang buhay ko, Sosyal si Simo at si Sima" (perspectiva anarco-sindicalista), "Confederação do Arquipélago: uma alternativa na estrutura política para além da representação e das políticas de Estado", "Punkista zine" (Subcultura punk e política) e "Mindsetbreaker zine" (documentação de diferentes lutas sociais e ecológicas, campanhas e ação nas Filipinas). Além disso, faremos nosso turismo informativo em diferentes escolas, levando nossos títulos enquanto principal tópico objetivando a abertura de discussões e conversações.
Enquanto uma entidade de publicação e distribuição de informações, nós mobilizamos e publicamos literatura através de fóruns de organização e conversação sobre cada tópico que abordamos, como história, política, anarquismo, etc. Inicialmente, o foco eram as escolas, a criação de eventos de conscientização e saraus literários. Queremos que o projeto seja de longo prazo, o quanto for possível, especificamente na questão da campanha de publicação e distribuição. Não há outra questão relacionada que queremos trabalhar senão a distribuição de conhecimento através das nossas jornadas nas diferentes escolas e universidades, levando a literatura que carregamos conosco, que inclui o livro inteiro de Berkman e os escritores locais, para suscitarmos discussões sobre estes pontos, experiências, e artigos. Também queremos encorajar tais escritores da região para continuar fazendo o que fazem, mesmo que muitas pessoas, às vezes se encontrem presas nas armadilhas do tempo e das condições econômicas.
Enquanto uma imprensa alternativa, estamos aqui para atingir abertamente diferentes pessoas e ampliaremos nossa ideologia não só para o âmbito da subcultura. Confiamos na possibilidade de nos tornarmos uma iniciativa vantajosa para manter as contribuições para outras pessoas de forma que elas mesmas possam começar a solidarizar. E isso não está apenas no plano das idéias, mas de ações que tenham como objetivo o apoio mútuo.
Nós acreditamos que tudo o que afeta nossas vidas esta interconectado, sejam as catástrofes sociais ou ecológicas que estamos enfrentando atualmente, em pequena ou larga escala, em sociedade, ou individualmente. Estes problemas não são nossa responsabilidade, mas sim das estruturas hierárquicas de dominação e ordem centralizada, mantidas pelo Estado e pela religião e moralidade; o espectro do capitalismo caminha através da ganância e do lucro e foi organizado, fundado, e então conduzido através das cinzas do mais impiedoso terrorismo e derramamento de sangue que muitas gerações sentiram, e que estão herdadas hoje de maneira cega.
Nós não acreditamos em fronteiras, e vamos continuar lutando intensamente contra elas, até sua total destruição, assim como continuaremos enfrentando o sexismo, a homofobia, o racismo e outras formas de opressão que foram criadas e precisam ser combatidas. Esta luta pode ser exteriorizada das nossas necessidades e desejos do dia a dia, para nos conectar com a sociedade ou com os questionamentos acerca da nossa situação, algo que só pode ser realizado através do combate das nossas convenções internas.
Atenciosa e problematicamente,
Imprensa e Distribuidora Mindsetbreaker
Endereço: Rua Ilaya E. Mendoza, 157, Cidade de St. Buting Pasig, Filipinas 1600
Para mais informações sobre a iniciativa da Cozinha de Saydee: http://saydeeskitchen.webs.com/
Tradução > Malobeo
agência de notícias anarquistas-ana
ainda é cedo
e a aranha já tece
o caminho da teia...
Luiz Gustavo Pires

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Pan-erotismo: a dança da vida

Caos é uma dança, uma fluida e erótica dança da vida. E a civilização odeia o caos e, por isso, também odeia Eros. Mesmo no suposto tempo livre da sexualidade, a civilização reprime o erótico. Ela ensina que orgasmos são eventos que acontecem somente em algumas pequenas partes de nossos corpos e só através da manipulação correcta das partes. Isso apertou Eros na armadura de Marte, fazendo sexo numa economia competitiva, realização centralizada no trabalho, em vez de um alegre e inocente jogo.

Mesmo assim, no meio dessa repressão, Eros recusa-se a aceitar este molde. A Sua alegria e forma de dançar fazem, aqui e ali, interrupções através da armadura de Marte. Tão cegos como a nossa existência civilizada, a dança da vida continua a escorrer na nossa consciência de poucas formas. Um olhar para o pôr do sol, estar em pé no meio da floresta, subir uma montanha, ouvir pássaros cantarem, estar descalço em uma praia, e começaremos a sentir uma certa exaltação, uma sensação de temor e alegria. Isso é o início de um orgasmo no corpo inteiro, não se limitando às, assim chamadas, “zonas erógenas” da civilização, mas a civilização nunca deixa os sentimentos se auto-realizarem. Caso contrário, perceberíamos que tudo o que não é produto da civilização é vivo e alegremente erótico.

Mas alguns de nós estão lentamente despertando da anestesia da civilização. Nós estamos cientes que cada pedra, cada árvore, cada rio, cada animal, cada ser no universo não está apenas vivo, mas que está mais vivo do que nós seres civilizados. Esta consciência não é apenas intelectual. Ela não será uma outra teoria acadêmica transformada pela civilização. Nós sentimos isso. Nós ouvimos as canções de amor dos rios e das montanhas e enxergamos as danças das árvores. Nós não mais queremos usá-las com coisas mortas, uma vez que elas estão muito vivas. Nós queremos ser seus amantes, incorporar-se nas suas lindas danças eróticas. E ela fascina-nos. A dança da morte da civilização congela cada célula, cada músculo dentro de nós. Nós sabemos que seremos desastrados bailarinos e amantes desajeitados. Nós seremos loucos. Mas a nossa liberdade está na nossa insensatez. Se podemos ser loucos, temos de começar a quebrar as cadeias da civilização, temos de começar a perder a nossa necessidade de consumir. Sem a necessidade de consumir, temos tempo para aprender a dança da vida; temos tempo para nos tornarmos amantes de árvores, pedras e rios. Ou, mais precisamente, o tempo, para nós, passa a não existir e a dança passa a ser as nossas vidas ao aprendermos a amar tudo o que vive. E se não aprendermos a dançar a dança da vida, toda a nossa resistência à civilização será inútil. E esta continuará mais uma vez a governar dentro de nós e voltaremos novamente a criá-la.

Por isso dancemos a dança da vida. Vamos dançar desajeitados e sem vergonha, e quem de nós, pessoas civilizadas, não é desastrada? Vamos fazer amor com os rios, as árvores, as montanhas; com os nossos olhos, os nossos pés, as nossas mãos e os nossos ouvidos. Deixa todas as partes do corpo despertar o erótico êxtase da dança da vida. Vamos voar. Vamos dançar. Vamos curar. Descobriremos que as nossas imaginações são fortes, que fazem parte da dança erótica que pode criar o mundo que desejamos.
 
por Feral Faun


Do panfleto, “Rants, Essays and Polemics of Feral Faun (Declamações, Crônicas e polêmicas do Feral Faun)” - Chaotic Endeavors, 1987. Reimpresso no Green Anarchy #10 (Fall 2002)

Verdades Ocultas Sobre a Nossa Comida

A “revolução verde” baseada no aumento da produtividade de poucos cultivos, na uniformização dos campos com sementes hibrida, na mecanização e uso intensivo de agrotóxicos, produz maior volume de comida, porém com menos variedade, e que alimenta cada vez menos. A afirmação é de Silvia Ribeiro, pesquisadora do Grupo ETC em artigo publicado pelo La Jornada, 15-08-09. A tradução é do Cepat.
 
Eis o artigo.
 
Muita gente não sabe que o aumento da produção através da variedade de cultivos de alto rendimento (sementes melhoradas ou híbridas) traz consigo a diminuição de nutrientes, vitaminas e proteínas nos alimentos produzidos. É um efeito conhecido faz décadas por agrônomos e pesquisadores agrícolas, chamado “efeito diluição”. O aumento drástico da produtividade dos cultivos por hectare baseado em sementes híbridas, o uso de fertilizantes sintéticos e a irrigação eleva o volume de matéria colhida, mas é menos nutritiva, principalmente porque a mesma quantidade de nutrientes se dilui em maior quantidade de folhas, grãos e frutos.
 
Um artigo recente de Donald R. Davis (Declining fruit and vegetable composition. What´s the evidence?, HortScience, vol. 44/1, febrero 2009) analisa vários estudos anteriores sobre o tema. Conclui que tanto no caso dos grãos como no de hortaliças e frutas se registra uma diminuição de nutrientes proporcional ao aumento de produção por hectare.
No caso de hortaliças, há diminuição de cálcio e cobre de 17 até 80 por cento, outros nutrientes também diminuem como o ferro, o manganês, zinco e potássio. Um estudo de 2004 que mediu a quantidade de proteínas e cinco vitaminas (A, C e três do complexo B) em 43 hortaliças encontrou diminuição também desses elementos: até 6% em proteínas e de 15 a 38 por cento para três das 5 vitaminas estudadas. Outras análises sobre milho e trigo confirmam a mesma tendência.
 
Em sua revisão, Davis concluiu que como a seleção de laboratório para produzir híbridos se baseia em aumentar o volume de grãos, frutas e folhas, compostos concentrados de carboidratos, não se leva em conta que este aumento focalizado implica na diluição de “dezenas de outros nutrientes e fitoquímicos”. Não é um fator desprezível: A Organização para a Agricultura e Alimentação das Nações Unidas (FAO) denomina esta crescente falta de micronutrientes nos alimentos de “fome oculta”. Segundo este organismo, milhares de pessoas sofrem de deficiência de ferro, fator associado nos países pobres a 20 por cento dos casos de morte durante a gravidez e a maternidade. Também nesses países um de cada três menores de cinco anos sofre retardo de crescimento por falta de micronutrientes, e 40 milhões de pessoas sofrem de problemas de visão ou cegueira por falta de vitamina A, entre outros exemplos. Por outro lado, milhares de pessoas consomem muitas calorias e são obesas.
 
A “revolução verde” baseada no aumento da produtividade de poucos cultivos, na uniformização dos campos com sementes hibrida, na mecanização e uso intensivo de agrotóxicos, produz maior volume de comida, porém com menos variedade, e que alimenta cada vez menos. Ao mesmo tempo favorece a concentração do comércio agroalimentar em a uma vintena de corporações transnacionais que monopolizam desde as sementes e ao agrotóxicos até a distribuição e processamento dos alimentos.
 
Além de serem menos nutrientes, esses alimentos contem cada vez maior quantidade de resíduos agrotóxicos e químicos, devido a sua industrialização e empacotamento. São um gerador “silencioso”, mas contínuo e onipresente de doenças que vão desde o aumento significativo de alergias, a efeitos mais graves como problemas neurológicos, malformações de nascimento, debilitação da imunidade, infertilidade e câncer. Ao mesmo tempo, os agrotóxicos e fertilizantes sintéticos destroem os solos e contaminam as águas.
 
O ápice desse processo doentio são os cultivos transgênicos. Além de basearem-se em híbridos – introdução de material de vírus genético, bactérias e espécies que nunca se cruzariam na natureza –, são resistentes a vários agrotóxicos, e que por sua aplicação massiva deixam resíduos desses venenos até 200 vezes maiores que seus similares convencionais também cultivados com químicos. Aos efeitos dos agrotóxicos, os transgênicos somam novos impactos pela manipulação a que são submetidos. Por isso, a Associação Americana de Medicina Ambiental se pronunciou em maio de 2009, orientando aos seus membros, pacientes e público em geral que evitem o consumo de transgênicos.
 
Tendo presente esta realidade, muitos governos e organismos internacionais fazem eco ao discurso das transnacionais dos agronegócios e nos dizem que é preciso maior volume de alimentos com mais agricultura industrial e transgênica para “resolver” a fome no mundo, ou seja, comer mal, mas comer alguma coisa. Entretanto, isso também não acontece. Ainda que se produzam maiores quantidades de alimentos, paralelamente aumenta o numero de famintos e desnutridos. Maior quantidade não significa que necessariamente chegará aos que necessitam. Pelo contrário, devido ao fato de que os alimentos se transformam cada vez mais em mercadorias nas mãos das empresas, cada vez mais se têm pobres e famintos que não podem comprá-los.
 
A solução real está justamente no contrário: que a produção de alimentos seja local e diversificada sob controle dos camponeses e agricultores de pequena escala que usam sementes locais e oferecem alimentos sãos e nutritivos, possibilitando não apenas o alimento de suas famílias e comunidades (a metade da população mundial), mas também para a maior parte dos alimentos consumidos dentro de seus países. Ao não cegarem-se com a produtividade de apenas um cultivo e não usarem agrotóxicos estão favorecendo a colheita de muitas outras variedades, fonte de muitos outros nutrientes.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Hamburguer de Carne de Caju

Do Diário do Nordeste | Quando a Copa do Mundo chegar a Fortaleza em 2014, trará junto uma novidade: o hambúrguer com carne de caju.
Esta informação surgiu na reunião de terça-feira, 27, do Pacto de Cooperação da Agropecuária Cearense (Agropacto), ao ser revelado que, no setor de prospecção e avaliação de tecnologias da Embrapa Agroindústria Tropical (CNPAT), com sede nesta capital, estão em processo de incubação projetos de quatro empresas, uma das quais – a Sabor Tropical – desenvolve pesquisas com extrato concentrado de carotenóides a partir do bagaço de caju.
Dessa incubação surgirá o hambúrguer de carne de caju.
Genésio Vasconcelos Neto, técnico do CNPAT, que transmitiu a notícia ao falar sobre o tema Inovação no Agronegócio, recebeu do presidente da Federação da Agricultura do Ceará, Flávio Sabóya, a sugestão para que o hambúrguer de caju seja incluído entre os produtos orgânicos, para os quais o Governo do Estado criou um Grupo de Trabalho cujo objetivo exclusivo é incentivar as chamadas “culturas limpas”.
Vasconcelos Neto informou: na incubadora da CNPAT estão as empresas Bioclone e sua pesquisa de micropropagação de mudas de abacaxi, banana e cana de açúcar; Carbono Fixo, que pesquisa espécies florestais para reflorestamento e crédito de carbono; e Cocos e Cocos, de São Paulo, que beneficia a casca do coco verde.
São exemplos de inovação no agronegócio.
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Receita de Hambúrguer de Carne de Caju (do site da Abril)
Ingredientes
8 kg de caju fresco (sem castanha)
300 g de farinha de trigo
2 xícaras (chá) de cheiro verde picados
2 pimentões médios picados
4 tomates grandes picados
2 cebolas médias picadas
1/2 colher (sopa) de corante (colorau)
1 cabeça de alho grande
Pimenta-do-reino a gosto
Sal a gosto
Modo de preparo
Lavar bem os cajus, acrescentar um pouco de água e bater do liquidificador. Depois, peneirar bem para tirar todo o suco. O que sobra é a fibra. Colocar a fibra numa panela e temperar com alho, cebola, tomate, cheiro-verde, pimentão, corante, pimenta-do-reino e sal a gosto.
Refogar por mais ou menos 10 minutos. Tirar do fogo e colocar numa bandeja grande para esfriar. Quando estiver fria, acrescentar a farinha de trigo e espalhar sobre superfície com a ajuda de um rolo (como se fosse uma massa). Por último, cortar no formato de hambúrguer. A fritura é igual a de um hambúrguer tradicional.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Diário de Férias - Última semana

Não quero pensar que essa foi a última semana de férias, mas sim, a primeira no desenvolvimento de várias atividades para me libertar (de vez!) do trabalho.

Muito estudo, muita curtição também (claro)... Uma tensa conversa com o Thi, que serviu para espantar muitos demônios, chorar e revelar tudo o que ainda estava guardado e renovar as energias, o amor e a paixão.

Agora é voltar ao trabalho e fazer as coisas acontecerem :D

Diário de Férias - Viajando

Segundona... viajar! Posso querer coisa melhor?

Mal dormi por causa da tensão. Eu nunca tinha viajado sozinha antes e estava indo logo para um lugar bem longe (POA). Suei frio, tive dor de barriga, dor de cabeça, mas lá estava eu, me despedindo do Thi e do Zé e entrando no ônibus em pânico.

O decorrer da viagem foi bom (apesar da ansiedade). Não consegui falar com os contatos que tinha na cidade, o ônibus tava fedendo, mas consegui ler e escrever bastante. E pensar também.

8h15 da terça: "Tô em Lages - SC. Tem cara de Sul - daquilo que se vê como Sul, a tradição europeia -, mas me lembra Itap. da Serra (grande e pobre).
"Toda a tensão c/ a viagem se dissipou. Estou sentindo uma liberdade quase infantil agora - daquele tipo em que se pula do balanço quando ele está bem alto, aproveitando um momento de distração dx responsável."

11h03 da terça: "Campestre da Serra. Parece Jureia.
"Que saudade dos meninos..."

Chegando lá, peguei um táxi e fui pro único hostel do qual eu tinha o endereço (por sorte, era o dos quartos mais baratos e ainda tinha vaga). Depois, peguei um ônibus pro Gasômetro pra ver o sol se pôr.

"O Gasômetro é foda, lindo demais. Falta pouco para o por do sol, mas aqui já está lotado. Vários casais. Eu, com dois namorados, e sozinha nesse paraíso. :( Oh, tristeza. Pra completar, tá tocando CBJr. ao fundo. Talvez eu volte aqui amanhã cedo para um passeio de barco."

10h11 da quarta: "Quase não quis sair da cama hoje. O celular despertou às 7h (quero aproveitar o dia!), mas eu não pude largar a cama quentinha e espaçosa (não muito, mas o suficiente para manter as pernas esticadas).
"Peguei no sono e acordei às 9h. Pensei na minha sorte, pois o café da manhã é servido até 9h30. Me arrumei correndo, desci, vi uma chaleira e fui seca... era água pra porra do chimarrão. Estou no Sul, afinal.
"Andei alguns quarteirões até achar uma padaria e já pedi dois expressos. Que alívio, café preto, quente, sem açúcar!
"Agora estou no Parque Moinhos de Vento. Lindo, limpo. Aliás, a cidade aqui é limpíssima! Vou tirar umas fotos e ver se acho lembrancinhas pros meninos...
"Não entendi porque Parque Moinhos... só tem um moinho aqui.
"Em tempo (antes que eu me esqueça ou que as coisas mudem): as pessoas aqui são super simpáticas. Mesmo eu, cheia de piercings, com o cabelo doido, sou bem tratada. Sério, isso é foda. Você olha para as pessoas e elas já estão sorrindo. Dei um bom dia despretensioso para o faxineiro do parque, um senhor de cara abatida, cansada, e ouvi um "Bom da, guria!" tão caloroso, com um sorriso tão bonito, que mudou toda a impressão (e expressão) triste que aquele senhor me passou."

No caminho do Rio Branco ao Centro, aprendi essas expressões:
Sinaleira= farol
Asfalto= calçada
Fardamento de futebol= uniforme
Trovar= trocar ideia

"A prefeitura dá muito espaço p/ o artesanato. No Mercado Público tem uma loja, e eu acabei de sair da Casa do Artesão, onde as exposições mudam diariamente, duas vezes ao dia. Conversei c/ o lojista, uma artesã e o segurança, todxs uns amores. Quero guardar esses momentos pra sempre, tô muito feliz.
"Das vendas da Casa, 10% ficam pro espaço e 90% pro artista. É pena que tenha tanta pele e tanta lã."

"Quebrei meu coração anarquista e entrei no museu militar. Vi as enormes máquinas que fazem guerra e matam xs livres. Por que a humanidade não cria e cultiva o amor?
"Mas é aquela coisa, 'mantenha teus inimigos mais perto ainda'."

"'Área de segurança militar'. Por que me sinto insegura na área de segurança? E não é só quanto à minha integridade física; parece até que aqui não se pode sorrir ou sonhar."

"A exploração animal aqui é enorme... Não só pela indústria da carne; há muita venda de filhotes. Já vi até peru engaiolado hoje. Do lado de onde estou tomando uma breja, há uma lojinha de filhotes de coelho e ratinhos. Triste..."

"Me diverti horrores agora c/ o garçom e o dono/gerente do bar tentando contrabandear uma garrafa de 'Polar' pra S.P. Haja argumento! Enfim, consegui!
"O garçom disse que NUNCA mais vou querer tomar Skol na vida e que o dono/gerente não vai mais me vender garrafas de Polar; é pra eu dizer pras pessoas de Sampa virem aqui tomar."

"Quando eu disse que to adorando POA, o cara agradeceu. É o espírito orgulhoso de todxs. Por quase todo lugar que se anda (maioria mesmo), há uma do Estado. E do Brasil, claro. Na única banca em que achei cartão postal, havia adesivos: 'Minhas 3 paixões' - seguido de uma bandeira do Brasil, do Estado e do Inter. Essas bandeiras eram seguradas por um Saci... Que símbolo, não?"

"O dia tá bonito, na verdade, é um belo fim de tarde. Se eu não estivesse tão cansada, iria pro Gasômetro de novo, tentar uma foto melhor (ontem tava muuuuito nublado). Não achei cartão postal de lá, triste."

Na quarta a noite, bebi bastante, li, escrevi muito (depois preciso organizar as anotações sobre o livro do Reich, "Paixão de Juventude") e fiquei zuando com os gremistas e colorados por causa de futebol.

10h16 da quinta: "Acordei cedo, tomei café da manhã (hoje tinha!) e encontrei a Castro Alves no mapa. Ao chegar no Bonobo, tava fechado ainda (não olhei na net os horários de funcionamento ¬¬)..."

"Bateu a deprê agora...Será que é saudade?


"Fiquei inspiradíssima com o Bonobo. Quero voltar pra Porto Alegre e voltar lá, mas, principalmente, quero montar um espaço em Sampa."


"Conversei c/ uma moça de Canelas agora. Para ela, POA é uma cidade suja e barulhenta. Imagine se ela conhecer São Paulo.


"Estou muito animada. O passeio e a leitura me fazem bem."


"Estou no quarto e há três caras aqui, com seus notebooks, falando sobre mulheres. Não sinto raiva (ou tanta raiva como de costume), pois sei da culpa das mulheres no sustento do patriarcalismo.
Nunca tive uma vontade tão grande de destruir os gêneros. Acho que todo esse levante de espontaneidade que se revela em mim faz também florescer uma maior vontade de ser livre. E isso significa mudar muita coisa. A primeira delas é que os meninos não me vejam mais como mulher, referência ou algo assim (pelas coisas que digo durante nossas conversas). E também não quero vê-los mais como homens. (Nota: o que quis dizer aqui é inteiramente como gênero, claro que entendo as diferenças biológicas entre homens e mulheres).
"Penso agora no quanto a palavra 'mulher está ligada a submissão e fragilidade, assim como 'homem' está ligada a opressão e força. Mesmo quando se fala em 'mulheres poderosas', há a questão da conquista (desse poder), afinal, os homens não precisaram provar ou conquistar. Não tiro a importância dessas conquistas, embora saiba (e as mulheres não querem ver isso) que o orgulho que isso gera é o caminho mais rápido p/ o matriarcado - grande erro também. (Nota: não desprezo o que as mulheres fizeram e fazem por sua libertação; o que quero dizer é que a igualdade não pode ser conquistada ao se igualar aos homens, e sim, ao se destruir gêneros e todxs podermos viver como pessoas livres). Macho e fêmea também não são bons termos, porque representam somente p/o coito e anula-se a possibilidade homo/bi.
"Na verdade, o sexo (homem/mulher) só precisa ser conhecido por uma questão de saúde, questões biológicas e físicas. De resto, o símbolo deve ser um X, a negação de qualquer modelo."


Sexta-feira: "Mal posso concentrar-me no livro. Sinto uma ansiedade, medo. Será alguma fobia a percorrer distâncias sozinha? Acho que não, é mais medo da solidão: medo de algo dar errado e eu não ter pra onde ir. Ridículo, eu sei; não há como algo dar errado. No entanto, sinto que só vou me acalmar quando estiver dentro do ônibus.
"Sonhei com qualquer coisa ruim sobre a viagem e perdi o sono de madrugada. Acordei c/ o barulho da chuva.Minha cabeça doi agudamente e fico enjoada só de olahar para qualquer coisa de comer. Tudo isso por causa dessas malditas horas que não passam!
"Estou quase indo para a rodoviária (são 10h30, meu ônibus é às 14h). Ai que agonia. Por que sou assim? Preciso destruir esse medo do mundo em mim."

12h: "Meus pensamentos dão voltas muito loucas.
"Pensei no Zé e no quanto ele me acha forte. 
"Acho que quero tanto a lierdade, sou tão sincera quanto a isso, que já pareço livre. E não sou (ainda) o quanto quero e posso.
"O Zé já me disse que teme meu pessimismo (ou, como ele também disse, 'você é um chão de concreto firme.'); acho que ele teme porque começou a ver as rachaduras.
"Isso tudo me fez ver o quanto viajar sozinha e para tão longe me é libertador e importante. Medo? Sim. Assim como angústia, desamparo. O que está acontecendo é novidade, por isso assusta. Até minha 'jovialidade' é nova. Contudo, no início do ano, quando eu tomava os remédios, não via chance para mim. Pensava que ficaria dependente ou 'depressiva' para sempre. Pensei, quanto estava no hospital, que morreria (acho que só o Thi sabe disso). E olho para mim agora: sozinha aqui em POA, emocionada com minha própria conquista.
"Isso é liberdade: fazer por si e para si. Eu disse isso ao James dias atrás - é a primeira vez que faço algo pensando em mim, sem querer atingir ninguém! É individual, porém não egoista.
"E por não ser egoísta, não é vergonhoso. Estou ansiosa mesmo, tenho medo mesmo!
"Por não ser egoísta, PRECISO voltar - pelo coletivo preciso voltar. Minha cabeça está cheia de ideias e vou explodir (ou surtar, de verdade) se não colocá-las em prática. Vou viver mais minha liberdade, meus sonhos. "Isso afeta (pode afetar) muita gente. Só não quero magoar alguém, de resto, acho que todxs somos livres - vou deixar que vivam, me atinjam!
"Quero viajar (não era isso) - ato falho.
"Quero dividir para multiplicar! Quero compartilhar! E, logo, vou deixar de "querer" (momentaneamente), porque estarei FAZENDO!
"Estou tão feliz!
"Quero dividir esses pensamentos com o Zé e o Thi. Eles me ajudam muito. E há muito pra fazer com o James e o Henrique também - embora seja mais fácil - prático - começar sozinha."

Basicamente, foi isso. Cheguei em Sampa de manhã no sábado, o Thi e o Zé me esperavam na estação. Deixamos as coisas em casa, entreguei os presentes e almoçamos no Apfel (fejuca vegan!!!!). Foi muito bom.

A noite, o Thi, o Zé e eu fritamos uns pasteis e ficamos numa boa aqui em casa. Dominguera foi só pra descansar... :D

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Diário de Férias - Dias 13 e 14 - Music is played for love

Sabadão é dia de acordar tarde... Ou de ficar na cama até mais tarde, mesmo acordadx.

A preguiça era tanta que o Thi e eu tomamos um café da manhã já com almoço (pedimos esfiha :p). Porém, o Zé ligou pra marcar o horário em que nos encontraríamos e tive parar de enrolar: banho rápido, engole as esfihas e corre pra estação. Cheguei atrasada, mas antes dele, rá!

Fomos para a Caixa Cultural assistir ao penúltimo dia da Conexão Blues. O tema foi Chicago - preciso dizer mais? De arrepiar! Musicistas ótimoooooooos! Eu não sabia de vi o show ou se olhava pra galera da terceira idade que se levantou e começou a dançar. Adorei!

Depois, andamos pelo Centro, comemos e fomos pra Praça Roosevelt tomar cerveja. O Mini Teatro, como sempre, tava ótimo, até a hora em que começou a tocar Tim Maia. Não foi uma música apenas, era um CD todo, devia ser a discografia... É claro que fiquei puta e arrastei o Zé pra fora dali, direto para a Jamboree com o Ska Professor.

Foi a primeira vez que vi algo no Teatro Coletivo. Achei o espaço muito bom, só é abafado ao extremo. Conheci pessoalmente o Alan (acho que já o conhecia de Santo André...), a Lene e o próprio Ska Professor. Mano, ele é muito simpático :D Adora futebol, mas, nas palavras dele mesmo: "I can't play football... But I play MUSIC!"

Música rolando e relações se oficializando, hehe.

Fila imensa pra pagar, tempo frio e longo pra esperar o busão. Casa, cama. Feirinha cultural de Osasco (esperando os lanches vegans que o cara que trabalha com o Thi disse que venderia ¬¬), showzinho, despedida... E arrumar as malas!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Diário de Férias - Dia 12 - Do Punk ao Funk

Pra me recuperar do dia anterior e resolver umas coisinhas pendentes, fui ao Centro Cultural São Paulo. Que lugar lindo e revitalizante!

Vi algumas exposições, assisti a um casal de modelos vivos (como conseguem ficar ali por tanto tempo?) e, principalmente, produzi bastante. Escrevi, li, fotografei, pensei... Fiquei revigorada.

Do CCSP, parti pra Santana, pra terapia. Conversei muito com o Fábio sobre o que tinha acontecido no dia anterior e consegui entender um pouco porque aquilo me abalou tanto. Na verdade, eu entendi muito - o que falta agora é praticar o que entendi. Estou tentando.

Saindo de Santana, fui direto pra USP, num show punk que teria lá. Encontrei o James e nós ficamos andando pela cidade universitária, procurando por uma festa que valesse a pena (o punk tava meio miado). Foi uma ótima caminhada para re-re-re-re-reconhecer o James. Ele é um chato, mas não vivo sem ele hahahahahahhaha Amigão mesmo!!!!

Depois, encontramos o Thi e decidimos ir pra Veterinária, onde estaria rolando uma cervejada. O que rolou, na verdade, foi um pancadão hahahahahha Porém, o copo de cerveja era barato, o papo tava bom e deu pra nos divertirmos.

Voltamos ao punk e só rolou stress. Infelizmente, há pessoas que ganham um certo status dentro de uma cena e não sabem mais viver sem exibicionismo e piadas sem graça. Tinha um tipinho desses muito conhecido por lá e decidimos que o melhor seria voltar pra Vet.

Lá chegando, a festa já tinha acabado. O jeito foi ir embora. Uma caminhada longa, mas muito divertida :D

Diário de Férias - Dia 11 - Limpando a ferida

Tenso, muito tenso.

Dia 11 foi um daqueles dias que as pessoas não querem que existam, mas que, de certa forma, são necessários.

Sai pra beber com um primo, uma pessoa incrível que descobri a pouco tempo. Ficamos horas conversando, o assunto não acabava! É tão bom quando esses encontros acontecem e se percebe que ainda existem pessoas verdadeiras no mundo. A questão é que, ao pensarmos porque nunca tiveramos contato antes, lembrei de um fato que me fez, por muito tempo, acreditar que ele não era uma boa pessoa.

Papo vai, papo vem, bebida entra... Acabei ficando em choque. É aquela coisa, família sempre vai te machucar, de uma forma ou de outra. E eu acabei mexendo profundamente numa ferida que estava superficialmente cicatrizada.

Quando deixamos as coisas debaixo do tapete, conseguimos sobreviver. Até o momento em que tropeçamos nesse tapete. Foi mais ou menos o que aconteceu :(

Diário de Férias - Dia 10 - Direito à Preguiça

Sabe aquele dia em que você não quer fazer NADA? Esse foi meu dia 10, hehe.

Com a desculpa de que teria dentista na parte da tarde, resolvi não sair pra não perder a hora... Cama, PC, cama, PC hahahahahah

No fim das contas: a FDP da atendente disse que teria que ser remarcado ¬¬ E ainda jurou que tinha me ligado (senta lá, Claudia!).